Enxaqueca: alimentação na modulação das crises



De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em torno de 15% da população mundial possui a forma mais comum de cefaleia, a enxaqueca. No Brasil, são mais de 30 milhões de pessoas que sofrem com a doença, que afeta a qualidade de vida e o desempenho profissional em cerca de 90% dos pacientes.


As enxaquecas caracterizam-se pelas cefaleias primárias, que podem iniciar logo na infância ou adolescência, e acometem mais mulheres do que homens. Além de acompanharem o indivíduo ao longo de toda a vida, sua característica incapacitante chega a ser superior à de doenças como hipertensão arterial, osteoartrite e diabetes. A literatura tem apontado que, além de todos os problemas secundários à enxaqueca, pessoas que sofrem cronicamente desse problema têm, ainda, mais chance de revelarem transtornos de humor e ansiedade.


Apesar de muitos fatores iniciarem uma crise de enxaqueca, como o uso de anticoncepcionais, hormônios, episódios de estresse e tensão, entre outros, a alimentação também desempenha papel importante na melhora ou no agravo dos sintomas. Indivíduos mais suscetíveis podem desencadear uma crise após o consumo de certos alimentos, dado que estes contêm compostos químicos que interferem na fisiopatologia da enxaqueca. Pesquisas na área têm recomendado a exclusão de alimentos para a minimização de sintomas, bem como a adoção de uma dieta saudável que, além de reduzir a dependência medicamentosa, possa contribuir para melhorar a qualidade de vida do paciente.


De acordo com estudos, os alimentos e bebidas mais associadas à ocorrência de enxaqueca são: chocolate, queijo, frutas cítricas, bebidas alcoólicas, aspartame, glutamato monossódico, dieta rica em gorduras, laticínios (especialmente o sorvete), cafeína e baixo consumo de água. Além disso, as bebidas alcoólicas são fatores importantes para a ocorrência de enxaquecas, com destaque para o vinho tinto e a cerveja. Alimentos cuja composição é formada por aminas biogênicas, como histamina e tiramina, podem favorecer a ocorrência de crises pelo seu acúmulo no organismo.


Em contraponto, nutrientes que estimulam o metabolismo cerebral, como lecitina, ácidos graxos ômega-3, isoflavonas e ervas (como manjericão, melissa e gengibre) têm mostrado efeitos positivos no tratamento da cefaleia devido a seus efeitos anti-inflamatórios. O magnésio, por sua vez, é considerado um mineral importante na prevenção da enxaqueca, pois sua deficiência promove depressão cerebral, alteração da liberação de neurotransmissores e hiperagregação plaquetária. Ainda, estudos que analisaram os efeitos da suplementação com ômega-3 e 6, óleo de peixe ou azeite de oliva indicaram efeitos positivos na redução da duração e frequência das cefaleias, bem como de sua intensidade.


Portanto, a exclusão de gatilhos alimentares e a adoção de uma dieta equilibrada pode contribuir para reduzir a dependência de fármacos, melhorar a qualidade de vida e atenuar os sintomas. Embora mais estudos sejam necessários para compreender a modulação dietética da enxaqueca, uma abordagem individualizada por profissional especializado deve ser prioridade no manejo desse paciente.


Referências:

FELIPE, M.R. et al. Implicações da alimentação e nutrição e do uso de fitoterápicos na profilaxia e tratamento sintomático da enxaqueca – uma revisão. Nutrire Rev. Soc. Bras. Aliment., v. 35, n. 2, p. 165-79, ago. 2010.


NEVES, Indiara Angellys Nunes. Relação entre hábitos alimentares e enxaqueca. 2013. 34 fls. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) - Faculdade de Ciências da Educação e Saúde, Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2013.


SANTANA, L.C. et al. Influência Dietética e Nutricional na Migrânea. Journal of Health Sciences, v. 18, n. 1, p. 64-73, 2016.


SBC. Sociedade Brasileira de Cefaleia. Dia Nacional do Combate à Cefaleia. Disponível em:

https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=321. Acesso em: 13 de nov. 2018.

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