Glutamina: imunonutrição em pacientes oncológicos



Aminoácido essencial livre mais abundante no organismo, a glutamina é sintetizada por muitos tecidos, sobretudo, pelo musculoesquelético.


Com a função de manter o balanço nitrogenado e a síntese proteica muscular, a glutamina pode servir de substrato energético para as células do sistema imune em patologias como o câncer, por exemplo, em que as reservas endógenas deste aminoácido normalmente estão diminuídas – isso porque a capacidade de síntese é excedida pelo consumo metabólico elevado, sendo preciso realizar a suplementação pela dieta.


Nesse contexto, a glutamina é utilizada com o objetivo de modular a resposta inflamatória e o estresse oxidativo em pacientes internados. Evidências na literatura apontam para a descompensação no balanço da glutamina, sobretudo, por pacientes catabólicos de unidades de terapia intensiva. Estudos indicam, ainda, um aumento na produção muscular endógena de glutamina, ao mesmo tempo que os níveis plasmáticos encontram-se diminuídos. Especificamente no câncer, em que as taxas de degradação muscular são altas devido ao catabolismo, as propriedades imunomoduladoras da glutamina podem auxiliar no tratamento dessa doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.


Abrahão e Machado (2014) ressaltam que a suplementação com glutamina para certos tipos de cânceres, como de trato gastrointestinal, cabeça e pescoço, contribui para a melhora da recuperação, para o retardo do tempo de hospitalização e para o aumento da massa muscular. No entanto, para outros tipos de cânceres são necessários mais estudos a fim de comprovar seu benefício.


Confirmando a afirmação de Abrahão e Machado (2014), Boligon e Huth (2011) avaliaram o impacto do uso da glutamina em pacientes com neoplasia de cabeça e pescoço, realizando quimioterapia e radioterapia concomitantemente. Durante 60 dias, pacientes (n=16) foram divididos em grupo controle e grupo teste. A suplementação indicada foi de 20g de glutamina em pó isolada por dia, diluída em 40ml de água, ingerida via oral, durante os tratamentos quimioterápico e radioterápico. Conforme os resultados mostraram, o grupo tratado com glutamina apresentou menor grau de severidade de mucosite oral e manutenção de bom estado nutricional, sugerindo que a suplementação com o aminoácido pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.


Assim, embora mais estudos sejam necessários para comprovar os efeitos da suplementação com glutamina na melhora da qualidade de vida dos pacientes com câncer, para neoplasias de cabeça e pescoço, o uso de glutamina pode contribuir para a melhora do estado nutricional e para a minimização de sintomas da doença.


Referências:

ABRAHÃO, S.A.B.; MACHADO, E.C. Suplementação de Glutamina no Tratamento de Pacientes com Câncer: uma revisão bibliográfica. Estudos, v. 41, n. 2, p. 215-22, jun. 2014.


BOLIGON, C.S.; HUTH, A. O impacto do uso de glutamina em pacientes com tumores de cabeça e pescoço em tratamento radioterápico e quimioterápico. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 57, n. 1, p. 31-8. 2011.


MARTINS, P. Glutamina em pacientes graves: suplemento nutricional fundamental. Revista brasileira de terapia intensiva, v. 28, n. 2, p. 100-3. 2016.

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