Aspecto nutricional na criança com autismo: deficiência de vitamina D

April 3, 2019

 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) relaciona-se a um desenvolvimento caracterizado por deficits generalizados na interação social, comprometimento na comunicação verbal e não verbal e nos padrões estereotipados de interesses e atividades.

 

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (2017), estima-se que, em todo o mundo, uma em cada 160 crianças apresente o TEA. O transtorno inicia na infância e tende a persistir durante a adolescência e a vida adulta. Estudos apontaram que crianças e adultos com autismo, frequentemente, apresentam deficiências nutricionais e metabólicas, incluindo problemas de digestão, e, por conta disso, intervenções nutricionais têm demonstrado possíveis benefícios no tratamento dessas condições. Especificamente, a literatura sugere uma possível relação entre o TEA e o nível sérico reduzido de vitamina D.

 

A forma ativa da Vitamina D (1,25(OH)2- vitamina D) é um esteroide com potente efeito endócrino, parácrino e autócrino. Acredita-se que sua forma ativa seja responsável pela regulação de cerca de 200 genes, o que justificaria a sua importância para o TEA, dado que esse transtorno também apresenta fator genético e sua deficiência poderia facilitar a expressão desses genes. Outros estudos apontam para a redução da severidade do grau de autismo, dado o caráter anti-inflamatório da vitamina D.

 

Em estudo de caso de Jia et al. (2015), os autores avaliaram o quadro de uma criança de 32 meses com transtorno autista e deficiência de vitamina D. Doses de vitamina D3 oral e intramuscular, na quantidade de 400 UI/dia e 150.000 UI/mês, respectivamente, foram administradas ao paciente e seu acompanhamento ocorreu no final do segundo mês. De acordo com os resultados, os pais da criança relataram melhora comportamental, incluindo diminuição da automutilação e de hábitos e costumes repetitivos. Já em estudo de Tostes et al. (2012), cujo objetivo era confirmar a relação entre deficiência de vitamina D e autismo, os autores observaram que crianças autistas possuíam menor concentração sérica de vitamina D e que, possivelmente, esta última exerce função importante no desenvolvimento cerebral normal.

 

Nesse sentido, embora não haja um consenso sobre a dose de vitamina D para a minimização dos sintomas do TEA, a literatura aponta que a suplementação com o micronutriente contribui para melhorar aspectos comportamentais e, sobretudo, cognitivos das crianças afetadas.

 

Referências:

 

ADAMS, J.B. et al. Comprehensive nutritional and dietary intervention for autism spectrum disorder - a randomized, controlled 12-month trial. Nutrients, v. 10, n. 13, 2018.

 

JIA, F. et al. Core symptoms of autism improved after vitamin D supplementation. Pediatrics, v. 135, n. 1, jan. 2015.

 

OPAS. Organização Pan-Americana da Saúde. Folha informativa – Transtorno do espectro autista. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5651:folha-informativa-transtornos-do-espectro-autista&Itemid=839. Acesso em: 7 fev 2019.

 

SAAD, K. et al. Vitamin D status in autism spectrum disorders and the efficacy of vitamin D supplementation in autistic children. Nutritional Neuroscience, v. 19, p. 346-51, abr. 2015.

 

SILVA, C.M. Autismo e vitamina D – uma revisão da literatura. 2015. 26 fls. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) - Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

 

TOSTES, M.H.F.S. et al. Low serum levels of 25-hydroxyvitamin D (25-OHD) in children with autism. Trends in psychiatry and psychotherapy, v. 34, n. 3, p. 161-3, set. 2012.

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