Obesidade infantojuvenil: da causa ao enfrentamento


Considerada uma doença crônica multifatorial, a obesidade tem atingido, cada vez mais precocemente, crianças e adolescentes, assim, caracterizando-se como problema de saúde pública que pode provocar prejuízos às potencialidades físicas e psicológicas desses indivíduos.

A literatura enfatiza que crianças e adolescentes com excesso de peso/obesidade tendem a permanecer assim na vida adulta, além de estarem mais suscetíveis a outros tipos de doenças crônicas como diabetes e doenças cardiovasculares. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2016, aproximadamente 41 milhões de crianças menores de cinco anos e mais de 340 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estavam obesas ou acima do peso. A última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), de 2008-2009, mostrou um aumento na prevalência de sobrepeso/obesidade de 13,8% (meninos) e 10,4% (meninas) para 51,4% e 43,8%, respectivamente, ocorridos entre 1989 e 2009.

Do ponto de vista fisiológico, a obesidade está intimamente ligada ao descontrole nutricional, provocado, sobretudo, pelo balanço energético positivo que influencia o acúmulo de energia posteriormente transformada em gordura por meio da ação da insulina. No entanto fatores psicológicos, como descontrole emocional, ansiedade, aspectos sociais e familiares, também, podem influenciar na ingestão de alimentos. Um dos ambientes determinantes para o desenvolvimento de estratégias para a melhora da saúde e qualidade de vida de crianças e adolescentes é a escola. Em estudo de Souza et al. (2018), os autores avaliaram o estilo de vida de crianças com excesso de peso em uma escola pública na cidade de Diamantina, Minas Gerais. Crianças entre 7 e 11 anos (n=40) foram selecionadas e parâmetros de saúde e qualidade de vida foram analisados. Os dados revelaram que os escolares apresentavam estilo de vida sedentário e moderado consumo de alimentos processados/ultraprocessados, fatores estes considerados de risco para a persistência do sobrepeso e o desenvolvimento de doenças crônicas. Além disso, o estudo concluiu que o monitoramento do estado nutricional, do consumo alimentar e do gasto energético são parâmetros essenciais para o subsídio de ações no ambiente escolar que estimulem a promoção da saúde das crianças.

Apesar de ser uma doença complexa e multifatorial, a obesidade infantojuvenil tem maior proporção em países desenvolvidos, embora esteja aumentando nos países em desenvolvimento. Além dos aspectos já citados, estudos também têm enfatizado a relação prospectiva entre transtornos alimentares e depressão, podendo essa última ser uma causa ou consequência da obesidade. Outros aspectos ligados ao desenvolvimento da doença podem estar associados à genética, ao estilo de vida da família, a distúrbios endócrinos, etc., sendo sua terapêutica ainda um desafio para boa parte dos profissionais da saúde.

Portanto, concentrar-se nas causas que levam ao aumento do sobrepeso/obesidade infantojuvenil é o primeiro passo para o enfrentamento da doença. Além disso, é preciso conhecer o ambiente onde os indivíduos vivem, comem e relacionam-se a fim de melhorar a qualidade de vida e prevenir desfechos biopsicossociais que podem perdurar ao longo da vida.

Referências:

ALMEIDA, C.A.N. et al. Classificação da obesidade infantil. Medicina (Ribeirão Preto. Online), v. 51, n. 2, p. 138-52, 2018.

IBGE. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: análise do consumo alimentar pessoal no Brasil. In: IBGE. Coordenação de Trabalho e Rendimento. Rio de Janeiro: IBGE, 2011. 150 p.

JONAS, A. O aumento da obesidade em crianças e adolescentes e seus principais fatores determinantes. 2018. [Internet]. Disponível em: http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1261.pdf. Acesso em: 22 jan. 2019.

OMS - Organização Mundial da Saúde. Obesity and overweight. 2018. [Internet]. Disponível em:

http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight. Acesso em: 22 jan. 2019.

SOUZA, P. et al. Obesidade e sobrepeso em escolares: a importância do diagnóstico para subsidiar as iniciativas de promoção da saúde no espaço escolar. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, v. 12, n. 74, p. 786-95, nov. 2018.

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